O que em mim escreve não pode ser visto. Tem de
habitar no abismo da minha alma, para sempre. Ao meu corpo incumbe a
tarefa de o esconder, de tornar o abismo impenetrável para que o que em
mim escreve não seja descoberto. A quem tenta chegar-lhe aprisiono na
memória do pior de mim e deixo-o na eternidade de só isso, uma memória
do pior de mim.
E assim desgasto o corpo, para que na morte tudo se apague.
Um pouco do Al Berto, um pouco de mim.
